FORMAÇÃO DE PREÇO PARA EXPORTAÇÃO


Há poucos dias vi uma nota fiscal no valor de 280,00 reais e na mesma estava mencionado o valor dos tributos: cerca de 200,00.


Apesar da tributação ser exagerada, não causou estranheza. O que é muito ruim. Já nos acostumamos que é assim mesmo...


Apesar do surrealismo da nossa situação tributária e observando as recentes desvalorizações do Real perante o Dolar, e ainda a forte crise que passamos, algumas empresas passaram a interessar-se no mercado de exportação para os seus produtos.


Nossas exportações andavam muito fracas devido à politica cambial que preteriu as vendas no mercado externo e deu prioridade ao combate da inflação. Praticamente como política econômica única. Visando manter a paridade do US$ baixa, usou e abusou sistematicamente do mecanismo de elevação das taxas de juros pagas pelos títulos públicos visando atrair dólares mesmo especulativos e por isso, muito voláteis.


O resultado foi a baixa na cotação do dólar o que barateou produtos importados e assim segurou a escalada de preços no mercado interno.


Tal política que teve relativo exito no controle de preços, revelou-se um desastre para a indústria nacional.

Numa rápida comparação com a cotação da moeda americana em fevereiro de 2002, ainda sem a interferência de questões políticas, a cotação andava na casa de R$ 2,40 / US$. A inflação oficial de 2002 até julho/15, girou em 170%. O que significa que mantida a politica cambial de 2002, a cotação deveria estar por cerca de R$ 6,48/US$ 1,00. Descontando a inflação americana no período, talvez ficasse com uma paridade mais baixa, até perto dos R$ 4,00 / US$ 1,00 como especulam alguns para final de 2015.


A regra geral é de industrias com poucas condições de enfrentar a concorrência internacional tanto no Brasil quanto no exterior. Mais especificamente dos chineses, que teorias conspiratórias à parte, tem praticado preços inacreditavelmente baixos, graças à paridade da sua moeda com o US$, artificialmente desvalorizada, e principalmente pelo baixo custo de sua abundante mão de obra paga com salários irrisórios, sem direitos trabalhistas e outros benefícios comuns no ocidente.


Situação esta que ser levada a sério estaria facilmente enquadrada numa situação de dumping social, aspecto este que deverá merecer uma análise mais detalhada de nossa parte em ocasião oportuna.


A industria brasileira, tem que administrar seus custos como mão de obra sob uma lei trabalhista que décadas e extremamente onerosa e ainda pagando impostos de toda ordem e taxas de juros "pornográficas" como recentemente definiu um empresário.


Juntando todos estes custos, nossos preços convertidos em US$ estão sempre muito superiores aos de outros países para produtos similares. Exceção talvez para automóveis onde as montadoras dispõe de condições de tributação na importação extremamente favoráveis e com isso podem formar um preço final de exportação mais competitivo.


Para piorar, temos visto ainda, empresas formando preços de exportação sem observação o pouco que nossa legislação concede visando desonerar exportações. Falta de prática e de conhecimento por parte de nossos empresários.


Resultado: Uma série de impostos que poderiam ser deduzidos do valor, de forma legal, acabam tornando-se custos. Sem deixarmos de mencionar que muitos tributos com uma legislação mais inteligente, poderiam ser excluídos dos preços e torná-los ainda mais atrativos.

Infelizmente nada pode ser feito sem um amparo legal e pelo que notamos, são poucos os legisladores e pessoas no governo que tem alguma noção sobre este tema. Aparentemente estes poucos especialistas não são ouvidos no momento de se formular uma política de comércio exterior.


Uma legislação mais inteligente no entanto, não é garantia para baratear nossos preços. Mesmo considerando os poucos mecanismos de compensação que temos hoje, muitas empresas ainda não tem ideia dos instrumentos já existentes que podem diminuir os seus preços.

O que vemos com frequencia, são disparidades como a de um produto destinado à exportação custar o equivalente a R$ 4,00 e no mercado interno já tributado fortemente, como é toda a produção nacional, R$ 2,70 já inclusos os tributos como IPI, Pis/Cofins, Icm, e outros menos conhecidos mas igualmente onerosos.


O fraco desempenho das exportações de nossos manufaturados não se deve apenas ao Real sobre valorizado.


Se houver interesse em conhecer melhor estes mecanismos de formação de preços, fique à vontade para solicitar-me um melhor detalhamento.

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