EXPORTAR É A SOLUÇÃO?


Na década de 70, a frase não era seguida do ponto de interrogação. Era uma imposição bem própria do estilo de administração dos militares no poder.

Veio substituir uma outra bem mais ameaçadora: "Exportar é o que importa" cuja tradução seria: "Se vocês não exportarem..."

Foi uma época de subsídios às exportações prá lá de generosos onde as exportações eram isentas de impostos e os exportadores se creditavam do ICMS e do IPI que deveriam

incidir sobre a nota fiscal de exportação.

Negocião!

Pena que faltou "combinar com os russos".

Os países concorrentes denunciaram esta política de preços como dumping, assunto que já abordamos recentemente, e o Brasil teve que cancelar o programa de subsídios. Não só

cancelou como ainda passou a tributar os valores faturados com imposto de renda e contribuição social.

A partir destas mudanças o Brasil, em termos de preços, ficou feio na foto. Em 1994 no início do plano real teve seu desempenho definitivamente comprometido, quando US$ 1,00 chegou a custar R$ 0,80.

Pois é, o dólar chegou a valer menos que R$ 1,00...

Mas respondendo à pergunta titulo, exportar definitivamente não é a solução. Mas, é uma necessidade para toda empresa e ao país.

Nos força para manter-nos atualizados em todos os aspectos e principalmente, produtivos para que possamos continuar na briga de cachorro grande, que é a disputa com a concorrência

internacional.

Neste terreno, estamos em notória desvantagem. Pela infra estrutura precária por um lado e no front externo, pelos sofisticados mecanismos que muitos países desenvolveram para subsidiar suas exportações, enquanto nós exportamos impostos.

Mas, procurando bem, ainda podemos procurar mecanismos de redução de preços e minimizar os estragos.

Alguns estímulos às exportações ainda sobreviveram. Um deles, consiste na permissão de se importar itens sem custos aduaneiros para agregá-los em produtos destinados à exportação.

Neste momento com o dólar rondando a casa dos R$ 4,00 e a recessão batendo forte em todos, muitos empresários nos procuram buscando informações e caminhos para iniciarem a

prospecção do mercado externo. Com razão, pois a paridade neste patamar, aumentou em muito nossa competitividade externa.

A todos que nos procuram detalhamos os mecanismos disponíveis na nossa legislação para formarmos os nossos preços com a menor incidência possível de impostos indiretos

nos valores.

Buscamos também conscientizá-los da necessidade de comprometimento com os clientes externos, não abandonando-os ao menor sinal de melhora no mercado interno.

Comércio externo não é "mulher de malandro" que leva desaforos e perdoa.

Deixar de cumprir prazos de entrega comprometidos, não honrar cotações oferecidas, não cumprir acordos pecados infelizmente comuns no mercado brasileiro, são imperdoáveis no mercado externo.

O "pecador" vai direto pro limbo. Abrir um mercado, é tarefa muito difícil. Perder um mercado conquistado, por erros ou descuidos, tira a empresa do mercado, por um longo período

pois a reconquista é ainda muito mais difícil.

Para aqueles dispostos a enfrentar o mercado externo passaremos nos próximos textos alguns caminhos que podem ser trilhados. O desafio do mercado externo é enorme mas o

premio é estimulante.

Maiores oportunidades estão para produtos alimentícios em geral, os de tecnologia e aplicação inovadoras e para produtos típicamente brasileiros, um bom nicho de mercado nas comunidades de brasileiros em outros países sempre com vontade de matar saudade do Brasil.

Quem procurar, certamente irá encontrar mercado para seu produto.

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